A semana passada decidi escrever estas crónicas, pois não posso privar os meus amigos, leitores, seguidores, admiradores (ou não) deste espólio de curiosidades (é o melhor que lhes consigo chamar).
Lembram-se das empresas jurássicas do século passado? Pois bem elas continuam a existir no século XXI, em plena Era de Mudança.
Bom dia e olham para nós como se fossem ETs, pensando eu sou mais eu, não tenho de cumprimentar ninguém! O curioso desta fantástica atitude social é que não são só os mais velhos a tê-la. Não senhor, os "chavalos" e "chavalas" com "DR" ou sem ele, são ainda piores. Let´s move....gabinetes, muitos e fechadinhos por causa das correntes de ar e dos olhares indiscretos. Afinal ninguém tem de ver ou saber o que por lá se faz. Ou melhor, saber todos sabem mas ninguém quer saber. Numa altura em que se apela à produtividade era bom fazerem uma visitinha a um destes exemplares da economia portuguesa. Facilmente chegariam à conclusão que tudo é mais importante que o trabalho.
Passo a exemplificar: Toca o telefone e o telemóvel (particular). O telefone da empresa pode esperar, quem quiser que ligue outra vez. Primeiro o telemóvel (particular)..é claro que não estamos a falar de situações familiares urgentes, mas sim de situações triviais, futéis até...já almoçaste? Não te esqueças de levar o casaco que ficou mais fresco...A que horas é o jogo logo? ou A que horas nos encontramos? (e eu poderia continuar infinitamente); Está um cliente ou alguém no guiché de atendimento...tem de esperar...afinal a partilha de uma conversa de caserna ou de um bolo que alguém trouxe é que interessam. E como se a atitude não bastasse ainda se verbaliza "Quem é?"..."tem de esperar" ou no ultimar do desespero..."você julga que não tenho mais que fazer" (isto para não falar do uso abusivo de expressões menos correctas num linguajar de gang).
Pois é, tudo isto existe, tudo isto é triste, mas é uma empresa portuguesa...com certeza!
Este é o capítulo um de uma saga interminável, que atempadamente partilharei, porque afinal seria até pecado privá-los de tão vasto manancial...